Faz frio frente ao fundo.
Sopra um vento frio da janela da sala. Na poltrona ao lado, Penélope dorme. Já já vou pra minha cama e fecho esses vãos por onde passa esse sopro desalentador. Flor foi lá ver a noite.
Na minha cama a sensação é de aconchego, de mim para mim. O silêncio da véspera de feriado, a cuidadora já foi, meu pai dorme. Respiro, aliviada, até lembrar que falta o meu filho. Tento não pensar, a dor é imensa. Difícil, ele era parte dessa cena, desses momentos.
Para o mundo nada mudou. Ninguém se dignou a me dar um abraço. As pessoas com as quais saio pra esquecer a merda que anda a vida vieram do lado da minha casa, mas não tinham interesse numa companhia enlutada. Pensando muito se servem ou valem pra qualquer outro momento pessoas assim. Pensando onde encontrar gente de verdade, acolhimento para quando não consigo me acolher, como na madrugada que passou e quase passei mal de pânico e ansiedade. Sou cada vez mais só no mundo, e exausta. Abraços fazem falta. Sua ausência, às vezes me parece, pode matar.
Devia escrever mais, treinar a organização e verbalização dos sentimentos. Faz bem, alivia.

0 Comments:
Post a Comment
<< Home