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Sunday, June 08, 2014

Café da manhã

A imagem do café da manhã na bandeja é inesquecível. Não me sai da cabeça. Dá vontade de voltar no tempo e parar ele ali. Devia ter tirado uma foto. A imagem está em minha memória como uma foto, posso vê-la, pensar no antes, no depois, na noite maravilhosa, era aquilo que queria e esperava há muito, muito tempo. 

Será que foi um agrado? Ou distração minha? O invisível querendo levantar minha moral ou apenas uma felicidade genuína que me torna visível a quem está aparentemente na mesma sintonia. Havia algo de errado, claro, o príncipe encantado não surge numa noite de forró, se declara, diz o que uma mulher gosta de ouvir, mas não uma mulher que se conheceu hoje, e sim uma que se conhece já há um certo tempo. Quase tirei o pé do chão. A vida ensinou a não ser tão rápida. A falta de sorriso mostra isso a quem quiser ver. 

Só sei que foi bom. Um bom com pé atrás, o que não permite ser plenamente bom, mas talvez seja mais saudável do que se jogar em algo tão novo e desconhecido. Algumas coisas demandam tempo sim. 

Mas foi bom. Estar ali, distraída com meus amigos, os poucos com quem me sinto aconchegada. Estar dançando feliz, precisava muito. Estar naquele local que não lembra nem de longe uma boate, nem com o esforço das luzes - graças a Deus. 

Dançar e conversar longamente sentada num banco. Passear pela Lapa mostrando as maravilhas daquele lugar, encantando quem não o conhece. Tocando seus Arcos. "Não imaginei que fosse assim." 
O deslumbramento diante da escadaria de Selarón. E eu falando dos azulejos, daquilo tudo com o amor que tenho por isso tudo aqui, por esse pedaço de chão tão meu.

O carinho que me fazia falta e eu não sabia mais onde buscar. Que mundo é esse onde as pessoas não vivem sem sexo mas vivem sem amor? Vivi uma noite com amor. Tive tudo que não venho tendo em relações furadas com pessoas traumatizadas. O café da manhã pra coroar. 

Mensagens que me faziam sorrir durante a semana. O reencontro. Casal no shopping. Coisa mais clichê. Um clichê que eu invejo, morro, me pergunto por que não comigo, enfim. Eu tava lá e talvez alguém estivesse se perguntando por que. Talvez alguém olhasse e sorrisse feliz. 

Ficou faltando o cinema. Posto que na discordância máscaras caem e o machismo aparece, reinando absoluto. Agora tô com essa vontade de cinema. De continuar uma outra história pois essa teve ponto final, ou 8 ou 80. 

Voltei ao meu amargor diário pior que antes talvez. Ter mantido o pé no chão fez o tombo ser menos dolorido. 

Hoje estou aqui em mais uma madrugada de sábado pra domingo sozinha, vendo todos saindo e não fazendo a mínima questão da sua presença. Quer saber? Foda-se. A amargura só aparecerá pura, viva, em brasa, em forma de lava vulcânica. É assim que tenho cuspido ela. A única pessoa que é obrigada a dividir todos os momentos da vida comigo sabe bem. Talvez devessemos dar-lhe a chance da escolha. Será que escolheria viver ao meu lado? Sei não. 

Por que outra pessoa escolheria? Não só viver, trabalhar, conversar, ir à porcaria do cinema? Talvez não valha à pena.

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