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Sunday, November 03, 2013

Manifestar-se

Escrever é uma necessidade. Dançar é uma necessidade. Falar. Aí vc não escreve, não dança, não fala. Só pode dar ruim.

Manifestar-se é uma necessidade, um direito, um dever. Fui lá me manifestar pelo absurdo de ver o meu Maracanã cercado de polícia que nos cerceava em direito dos mais básicos, ir e vir. Mal sabia como isso se acirraria.

Escrever, dançar, falar, entre outras coisas, tudo é se manifestar. Colocar-se no mundo, no seu lugar nessa grande sala, naquele lugar que é só seu. It only fits you.

"É impressionante como eu mesma entendo, quando eu mesma explico"; disse outro dia um professor fabuloso de filosofia no Programa do Jô. Enquanto vou falando comigo, em diversos espaços, vou me entendendo, e sentindo-me aliviada. Preciso cada vez menos do aval de outrem para o que penso. Penso. Não escrevo, não danço, FALO. O que não devo, dizem. Não me caibo.

Pois, minha questão é: tenho que me caber? Não posso/devo exercer meu direito de livremente me manifestar? Permito-me não entender tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. O tempo e o amadurecimento irão mostrando os caminhos. Viro à esquerda, depois penso mais um bocado e resolvo seguir em frente. Acho isso incrível, é a descoberta das realidades, ou a tentativa de entender essa matrix louca, essa teoria da conspiração que ora faz sentido ora não.

Não esperava que a transformação do mundo se desse como está se dando. Que bom! O que é maior que nós não deixou de me surpreender. Não esperava jamais que o tal foco tão pedido iria cair na educação, não porque isso fosse definido, mas porque os profissionais da educação não aguentaram mais. Isso foi incrível demais. Convivendo de perto há mais de dois anos, vou apenas vendo o sistema estabelecido operando. Já chorei, já surtei, já disse mil vezes que ia sair. Jamais esperava por isso. Tentei ficar na minha mas não deu ao ver, pela Internet, professores do Estado de Sérgio Cabral sendo escurraçados do Palácio Guanabara.

A greve da rede municipal foi uma experiência incrível. Contudo ao voltar, o status quo é quase palpável. Levei uns dias pra que a ficha caísse. Mas ela caiu lindamente, e no espaço da sala de aula com crianças de 9 anos me dizendo que estavam com raiva do prefeito e me perguntando por que ele continua lá, explodi, no melhor sentido. Pois tudo o que estava dentro de mim veio à tona e tudo, tudinho valeu a pena.

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