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Sunday, February 08, 2009

Dez anos de dança!

Em janeiro, completaram-se dez anos que danço danças a dois, as famosas danças de salão.

Em janeiro de 1999, há 10 anos atrás, fui despretensiosamente com amigos queridos ver uma aula que teria na igreja aqui no morro, carregando cmg todos os preconceitos que temos das coisas que não conhecemos.

Os preconceitos foram se desfazendo e eu achando o máximo aprender passos básicos como o cruzado, a entrada da dama, o abraço do soltinho. Aquela alegria que a gente vê em cada pessoa que se propõe a dançar tb.

A escola que iniciou o projeto no morro deu bolsas para algumas pessoas e eu fui uma das escolhidas pra fazer aulas na academia Sindicato da Dança. Me lembro das 1as aulas lá, da curiosidade que a novidade traz, de cada vez fazer mais aulas e aprender bem rápido algo que eu talvez já trouxesse comigo.

Me encontrei. Eu era a melhor, e super reconhecida por isso. Era bom demais. Os bailes com os amigos que tb foram pra lá, ir passear na praia dps, dançar muito feliz fazendo passos bem básicos, achando que aquele embolar de pernas em coisas que eu não sabia que se chamavam tiradas de perna, no samba, era algo inimaginável pra mim e meu grande parceiro no início desta empreitada, William.

Descobrir o forró e despojar-se de mais um preconceito.

A faculdade estava trancada e eu não trabalhava. Cada vez mais comecei a me dedicar à dança, a dançar mais e mais horas por dia, nem sabia por quê ou pra quê. Não tinha nenhum objetivo profissional, imagina! Mas de tanto as pessoas perguntarem, acabei tendo que pensar nisso. Comecei a dar aulas uns 3 anos dps. No boom do forró pé-de-serra no Rio, a demanda me fez encarar e ver que eu conseguia dar aula. Mais ou menos na mesma época comecei a dar aula de inglês, e fui encontrando meio que uma vocação: ensinar.

Saí de lá por volta de 2002. Fui procurar outra academia, e levada por amigos acabei indo numa bem modesta, a Casa de Dança Carlinhos de Jesus. Era muita pretensão minha, mas eu me jogo no fogo, mesmo com medo. E nunca vou esquecer que me botaram pra dançar e eu dancei, com os instrutores da casa, e entrei como bolsista lá tb. O que uma dama precisa saber eu aprendi muito bem no SD: ser conduzida, deixar o cavalheiro te levar. É o que sei fazer melhor, independente de passos ou sequências marcadas. Gosto do improviso e sigo meu par se ele quiser improvisar. Improviso também e faço meu par me seguir. Ouço a música e danço segundo ela, não faço passos. Passos são o meio pra se alcançar o fim, o grande objetivo: dançar. Dançar não é fazer passos. Dançar é ter vontade de se mexer ao som de música, é meio inato e inerente ao humano. Qq criança que mal dá seus 1ºs passos já começa a dançar tb. A ter ritmo, lateralidade, e desenvolver, de forma lúdica, conceitos que serão importantes para sua formação quando adultos.

Fiquei lá quase um ano. A faculdade não estava mais trancada e eu estava no último período, no 2º semestre de 2003. Consegui então um estágio no Yázigi, e fui levando tudo: faculdade, estágio e dança. Mas chegou uma hora que não dava mais e eu tinha que escolher. Me lembro tão bem do qto me doeu optar por deixar de investir na dança para investir nas letras. Como escolher entre 2 amores? Sendo racionais, é como fazemos. Não me arrependo do caminho que venho seguindo. Desde então eu saio pra dançar, quase não vou a bailes de dança de salão, curto muito mais lugares onde as pessoas vão ouvir boa música brasileira ao vivo, seja como for: pra esquecer da vida, pra viver, pra beber, fumar, encontrar um amor por uma noite ou pra vida inteira, pra dançar, pra fazer amigos. As pessoas vão se divertir e é isso que vou fazer tb, nos forrós e sambas da vida, na Lapa, por aí.

Nunca deixei de ser a melhor e de acreditar que posso viver disso algum dia. Nunca deixei de ser reconhecida, de tentar voltar, de tentar seguir a dança como profissão. Sou dançarina, não importa se não trabalhe com isso, eu sou, faz parte de mim. Mas por enqto, vou deixando a dança ser vida, sem obrigação, fazendo dos salões, muitas vezes, sem querer, o palco que tanto desejo.

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