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Monday, July 27, 2009

O passado que acabou de passar.

Ele sempre falava do meu olhar. Ele sempre falava, e ainda que dissesse algo clichê, dizia de forma poética, poeta que é. Eu sempre olhava, era minha resposta, meu olhar no seu e um sorriso. Não sabia que era o que o conquistava e o fazia querer estar tão perto. O mesmo olhar de quando danço. O olhar deixa apenas de ter uma direção humana para se mirar no transcendental, o mesmo sorriso, e o cabelo, que voava como ondas do mar ao som da música. Na verdade este tipo de olhar se mira sempre no transcendental que é tão difícil ver em olhos humanos. Sei que ele via tudo o que eu via de dentro de mim mesma quando dançava. Sei que ele via sem olhar. Isso o trouxe para ver de perto, para olhar com olhos de ver o que só os amantes e poetas vêem. Ele veio ver e se encantou. E se mostrou, e eu me encantei, pois eu olhava mas não via. No entanto, sentia. Algo estava no ar. Pairava, exalava como perfume que todos podem sentir. Alguns percebem e outros apenas sentem, sem atentarem para o que é. E tão perto ele chegou, que não conseguiu se afastar. Em seus braços, também não quis. Mas a razão do poeta falou alto, tão alto que o som o acordou do sonho. Ao despertar, o impacto nos jogou longe. E agora é de lá que ele me vê sem olhar, sabendo o que acontecerá caso se aproxime um pouco. Ele então se mantém lá. Ainda que eu chegue perto.

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