Realidade.
A realidade.
Trabalhar 9 to 9 numa empresa que visa lucros a qq custo, visando lucro tb. Bem, nunca quis trabalhar 9 to 5.
Os dias passam, acordo cedo, aula, aula, aula, corre pra lá, volta pra cá, tem reunião, o curso extra, festa e já acabou o dia, já é noite e amanhã já é dia de novo, e cedo. Os dias passam assim na realidade. E assim as semanas, e o sábado, qdo terminam as aulas, dá aquela sensação boa de dever cumprido, posso ir pra casa dormir.
E como é bom ter o domingo pra não ter hora pra nada, pra não fazer nada, pra dormirrrrrrrr.
Mal o sábado tá lá, mal o domingo chegou e já vem a segunda, e recomeça a realidade, que já nem se desfaz no sábado na verdade. Ela já não dorme mais. Está alerta e correndo com pressa como todos. E estressada.
Isso é a realidade.
Os dias passam reais assim, e pq a vida, pra q? Bem, só agora lembrei de perguntar. Poderia ter terminado a frase na 1a vírgula. É como tenho vivido, realidade, dívida no banco, negociação, contas, salário, números. Essa é a realidade. Preciso comer. Pagar as contas. Viver. Estou conseguindo, uma vitória na análise, pra família, pra não ser peso. Não dá pra dar conta da casa. E nem pagar alguém pra isso. Intervalo pra pensar, 2 segundos. Pensamos com a arte, e talvez um dia arrisque dizer q só com ela. 2 segundos, suficiente pra não parar a frase na vírgula e perguntar. E ver de fora. Ver a realidade como se fosse do alto. Alma de artista, alguma coisa assim. Parece pretensão, a identifico na arte o tempo todo, não a identifico na realidade. Ah, a realidade. Choro pouco. Muito pouco. Não fico triste, fico apática. É a realidade. Não tenho lágrima pra chorar, tive que comprar até lágrima artificial. A arte adormece a apatia e surge vida. Ainda não chorarei, mas é só tê-la de volta. Como vejo, claro como água, a realidade de fora, se estou dentro dela? Eu gosto do verde da natureza. Não gosto do verde que vejo fora. Como vejo fora, se sou parte da natureza? Quantos verdes existem? Quantas realidades? Minha realidade tem sorrisos, alegria, vida, dança, música, amor, teatro, cinema. Todas as realidades deviam ter. Mas essa deixa de ser minha a cada dia que passa sem que veja, cada dia mais. Cada dia menos. Não há só um verde numa mesma árvore. Não há uma só realidade numa mesma vida. Sorte de quem vê. Sorte de quem pode viver.

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