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Sunday, May 17, 2009

Nova.

Me estranho. Quem é essa Patrícia que vai vivendo ao sabor da própria vida, que vai empurrando a vida pra frente como quem empurra uma pedra, uns dias pedrinha, outros dias pedreira. Que vai vivendo, só. Que parece nunca ter ouvido falar, vivido ou sabido sobre poesia.
Quem é essa que não tem vontade de sair, de dançar, de nada. Essa não sou eu. Mas parece estar renascendo em mim, ou de mim. Assim, uma pessoa comum, normal.
Para me adequar, tomo remédios. Pra não ser fora do padrão, pra acordar cedo como todo mundo, que não gosta mas faz, é a vida. Pra me conformar, tomo remédios, que me dão uma disposição estranhíssima pra acordar cedo, rápido e já querendo trabalhar, principalmente em casa. Pra me adaptar, sinto sono cedo, meia-noite, um sono arrasador, preciso dormir. E acordo 6, 7, 8 da manhã com fome, rolo na cama pq não precisa ser tão cedo, o que faço com esse tempo? Deixe-me descansar, hj é domingo, tenho trabalhado tanto... Mas não, não consigo descansar, levanto cansada de lutar contra essa disposição. Quem diria que eu acordaria e trabalharia um dia inteiro sem me sentir mal ou me cansar além do normal. A pílula da felicidade, redobrada, me torna produtiva aos olhos do mundo! É irônico demais...
A pílula da ansiedade me deixa assim, sem ansiedade. Sem vida, sem ânimo. A vida me parece isso, vamos acordando cedo, trabalhando, almoçando o que dá, chegando em casa cansados pra começar tudo de novo amanhã.
Essa moça que é artista, sim ela é... É tudo que é em sua essência e fora dela, é tudo que sabe ser. E como muitos artistas, precisa trabalhar como pessoa comum. E mutilar sua alma de artista, se auto-flagelar. Dói. Invejo os artistas que podem SER. Invejo.
Nunca achei trabalho ruim. Acho as condições em que ele é desenvolvido, em como é construído, ruins. Acho o trabalho capitalista um holocausto de cabeças pensantes. Acho não...
Trabalhar não é ruim. Gosto de dar aula de inglês, mas pq ali, seja no inglês, no português, na dança, dou aula de filosofia, de pensamento.Tecnicismo também tampa a visão. Quero ampliá-la, e pelo menos nisso sou privilegiada. São tantos mundos à minha volta, tantas realidades tão diferentes e tão reais em seus aconteceres, tão convincentes, pra quem as vive, de que são únicas. Me sinto rica em poder vê-las várias, e me sinto impotente em não conseguir que as vejam também.
Não posso dizer que quero voltar a ser aquela. Mas essa também não. Diga-me que a vida faz sentido assim e eu a viverei o quanto puder.

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