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Sunday, September 18, 2011

Ressaca da Bienal

Disse que parei pra ver - e pensar - quando vi Thalita Rebouças. Mas na verdade vi muitos "famosos" e uma legião de anônimos atrás deles. Não importava pq eram famosos. Tem famoso, tira foto! Parece um amor incondicional, parece, e só parece, que ali não há solidão. É gente demais que te ama! Ama?

Eu estava só. Não sou famosa, nem exatamente muito querida. Não faço o estilo simpática quando conheço alguém, pra que ali na frente eu não me estrepe tendo uma surpresa com a pessoa "simpática" que conheci, e para que a pessoa que me conheça já saiba logo quem sou - um ser humano complicado como todos: cheio de problemas, questões, sem a menor vontade de conversinhas pra fazer "social". Sem o MENOR saco pra isso. Chega de tanta formalidade, Jesus!

Maria Paula falou disso. A famosa, a quem todos ouviriam, ainda que entrasse por um pavilhão auricular e saísse pelo outro. Ela falou de milhões de coisas CRUCIAIS pra mim. Essa formalidade, por exemplo. Pq não posso falar com alguém se estou a fim? Pq não posso falar com ela, que entrava em nossas casas todas as 3as? Muito prazer, eu sou Patrícia e está sendo maravilhoso ouvi-las (ela e Patricia) dizendo que sim, posso ser como sou. Tendo uma conversa de alto nível filosófico, que me nutriu profundamente, que me alimentou como estava precisando há tempos. Escrevi o quanto estava sendo bom ouvi-las num papelzinho de perguntas. E logo comecei a falar, ampliar o que eu tive que escrever sucintamente, e logo veio um microfone parar na minha mão, e logo vieram aplausos da plateia. E logo me senti feliz e certa de minhas certezas, tão balançadas pelos próximos que me falam da importância da rotina e do trabalho, mas que não gostam nem de um, nem de outro. E que não sabem responder o porquê dessa importância. Não há tempo para pensar.





Meu Deus, como me senti viva! Já achava q estava mesmo errada (quando esses conceitos de certo/errado já deveriam estar há muito ultrapassados, pq são de fato completamente obsoletos). Não estou errada. Sou eu. E gosto de ser como sou. Gosto da minha história, de estar aqui, de enlouquecer e até de ser racional com meu jeito de só saber viver em Liberdade Crônica, que como tudo na vida me traz vantagens e desvantagens. Liberdade Crônica. É disso que "sofro"... É o título do livro da Maria Paula. Títulos me encantam e esse me pegou de jeito. Estou lendo ele devagar, pq é emoção demais.

Enfim, fim do debate, comprei o livro, peguei autógrafo, foi ótimo. Não tinha conseguido falar com minha xará, muita gente. Deixei pra lá. Quando de repente esbarro com ela no corredor da Bienal, e ouço que ela queria me levar pra sentar lá junto com elas e falar, que me adorou. Sim, eu tenho o que falar. Sim, eu posso ser adorável. Isso depende da interpretação de quem "lê". Dos olhos de quem vê. Conheci o marido, um ator que não me era estranho. Conversa ótima, maravilhosa, incrível, presente que ganhei. E Patricia me dá um livrinho de sua autoria, autografa, e eu fico muito feliz e curiosa. Pq falávamos de relacionamentos... De como essa mulher atual assusta... De como o homem quer fazer seu papel de protetor e provedor - pulemos a parte do $$$, falamos de carinho mesmo, afeto (outra palavra muito presente no discurso da Maria Paula - afeto, gentileza, valores). Patricia encontrou Luciano, que ainda reclamou que nem sempre consegue ser esse homem por conta da independência dela. Mas eles estão felizes, juntos. Esperança. Tb posso ser. Com alguém que entenda isso. Todos podem. Mas se agarram ao medo. Ou se acomodam.

Embriagada, esfuziante, não me cabendo em mim, era hora de ir embora. Vim pela Grajaú-JPA pra parar no Grajaú e encontrar a Bia. E nesse caminho li o livrinho que ganhei da xará: 3 - Um Romance para ler de uma só vez. Li, de uma só vez. Não tinha como, foi o caminho certinho. E não há como não se identificar em algum momento, em vários momentos. E, transbordante como estava, pelas histórias que me lembrava, fiz uma ligação. Mais tarde seria retornada. Livre, leve, sem culpa, queria relembrar esses momentos de amor e carinho que tinha qdo estava com. E do auge da felicidade que era só minha, porque era muito particular, não caí. Voei, até chegar ao chão. O caminho foi lindo, pq voar é lindo, mas foi só chegar ao chão pra sentir o peso do ar que temos respirado. E a noite que eu tanto queria, e não só eu, não aconteceu. Mas isso fica pra outro post.

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