Chip
Pai ligando na manhã chuvosa, preocupado com o trânsito pra eu chegar ao Jardim Botânico. Deixei pra ligar no ônibus, pq aí já via como estava. Trânsito fluindo super bem. E o cel n completava a ligação. Até eu entender o que estava ouvindo: que o maldito tinha sido bloqueado. Ponto extremo do ódio.
Nenhum outro tel que tenho faz ligações, nem o fixo nem o cel do qual apenas não me desfiz para manter o número. E perguntei, inúmeras vezes, se podia me desfazer dele. Sim, sempre, como resposta.
Tive que parcelar a conta do fixo e enqto isso só posso receber ligações. O outro cel virou pré-pago, pra não perder o número, inclusive sugestão de um dos presenteadores. O cel que foi bloqueado foi um presente, dado de Natal na reunião de uma parte da família há alguns anos. Não o aparelho, mas o chip. Nem podia ser considerado como presente, como ouvi. Eu considerei, claro. Afinal, eram mil minutos divididos por 3 pessoas. 500 min era muito pra 2 pessoas, então pq n dividir por 3 e cada um ter uns 300 min e blablabla. Essa foi a explicação pro presente. Não sei nos últimos tempos, mas tentava sempre saber quantos minutos estava usando, e das vezes que tenho notícia, eram em torno de 90.
Presente, segundo aprendi a vida inteira, não se devolve. Muito menos se pede de volta. Ou, pior, se toma, na marra. É falta de educação. Entendo todas as outras coisas, isso não.
Mas tudo bem. Devolvi o chip num envelope do tamanho da mesquinharia e da cor do sentimento.
Dias passaram com isso no estômago, indigerível. Não queria ver a cara. Até que o ódio foi virando uma mágoa enorme, imensa, um mar que inundava meu ser. Há tempos não sentia algo tão forte, tão intenso.
Anyways, façam bom proveito. Dêem para alguém que seja menos mal-agradecido. Não quero mais nada, NADA. Sabia que um dia viriam jogar na minha cara. Eu sempre pensei nisso, e sempre soube que não suportaria, que não aturaria tamanha pequenez. Pra fazer e dps jogar na cara, melhor não fazer.

0 Comments:
Post a Comment
<< Home