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Sunday, October 18, 2009

Como disse minha médica homeopata...

É uma frase que uso muito para começar diálogos, para explicar de onde veio aquele meu novo entendimento, pra dizer que não fui eu sozinha, mas que incorporo sempre as novas visões. Ela me dá o eixo qdo o perco, e a hora de ir lá é sempre a hora certa.
Thereza é um anjo que foi colocado em minha vida há 15 anos. Já perguntaram a ela qual o meu problema, se eu nunca fico boa.
Hoje em dia, como na última "consulta", parece um encontro com um mestre que vem iluminar seu caminho que porventura esteja meio obscuro, o que raramente é fato e comumente é apenas a trave no olho que dá essa impressão.
Temos a mesma religião, e ela me fala através dela. Eu estou muito bem, visivelmente, tenho ouvido isso. E então falei dos últimos acontecimentos, da vida, pra ela que me ensinou que a vida não erra.
Através desse entendimento quase visceral, que não tem nada a ver com a superficialidade de achar a frase bonita ou profunda, ela pôde me dizer que tenho mais fé, ou seja, que acredito mais. Através dessa compreensão, posso dizer que venho aprendendo a esperar com serenidade. Eu, a pessoa mais ansiosa do mundo, que pensou que ia morrer disso, surtar, enlouquecer e ser internada para sempre, coitada, num hospício.
Era uma possibilidade. Mas consegui trabalhar minha mente, com muita terapia e minha religião como apoio imprescindível. Consequentemente, não enlouqueci. Várias vezes pensei que iria, mas me disseram que nem estava perto disso. Bem, era como sentia.
Ao contar sobre os últimos acontecimentos, falei en passant sobre a questão dos bichos. Sei o qto não é importante e o qto é engraçado para as pessoas comuns. Tinha falado da mesma forma com a psicóloga, que não captou o pq de eu ter dado apenas uma leve pincelada num assunto tão diverso de cores e sombras.
Thereza captou. E me trouxe um esclarecimento ímpar, que só poderia vir dela. Ela enxerga o que não vejo e me mostra com uma doçura motivadora.
É a vida me mostrando o desapego, ela disse. Primeiro foi minha mãe. Ela me perguntou se eu os tinha qdo minha mãe estava aqui. Não, são outros, o casal que tinha morreu. E talvez eu não tenha deixado a vida recomeçar. Eu os mantive quando precisava fechar um ciclo. Primeiro minha mãe, dps o casal e meu gato de 10 anos que era louco por ela. Agora, em xeque-mate, a vida me disse que era hora de eles seguirem suas vidas e eu, a minha. Que eu não os abandonei conforme tenho a sensação de ter feito. Eu procurei quem cuidasse deles e eles estão bem, o que é um alívio enorme dps de anos de tanta tensão por conta do cantar do galo. O galo canta, o dia amanhece, as pessoas acordam, vivem, comem, voltam e dormem. É parte da vida, simplesmente. Tenho prestado atenção em quantos sambas mencionam o cantar do galo. Um dia faço uma coletânea.
Ela disse que preciso deixá-los seguir, eles, minha mãe, enfim. É a vida chamando atenção para o desapego. Disse que isso não significa de forma alguma falta de amor. Que confundimos amor com apego. Que amar é querer que o outro fique bem trilhando seu caminho único, particular. Ela falou do meu amor por eles, com a compreensão exata da dimensão desse sentimento, com a compreensão ainda incomum do amor por qq criatura. A vida me mostra que amar não é ter aquela relação simbiótica que tinha com minha mãe. Da mesma forma, não é ser inflexível mantendo os bichos sem ter condições para tal. Amar é querer ver bem, e é o que tenho visto. Ela está bem em suas novas perspectivas, eles estão bem em sua nova casa. Mas é claro como água que ainda somos muito humanos para ter tal nível de amor. Como ela disse, somos crianças que necessitam dos pais para guiar-nos. Não somos adultos que trilham seus caminhos únicos, pessoais e intransferíveis. E aí, chegamos à velhice com no mínimo uma artrose, um reumatismo, depressão. Porque somos aquelas crianças que se sentem desamparadas e sem amor. Nunca estamos sós, mas é preciso aprender a viver consigo mesmo. Há muitos amigos que dão a mão qdo desfalecemos, mas não podem caminhar por nós. A vida me fez conviver comigo mesma e aprendizado melhor da essência não há. Era preciso.

1 Comments:

Blogger Sara Veiga said...

li tudo com avidez e confesso que também tenho uma amiga assim na minha vida. Chama-se Conceição e é um anjo que me ajuda sempre, que me ilumina sempre, mesmo quando eu penso que já estou iluminada...

que bom saber-te bem acompanhada, amiga :)

20/10/09 7:04 PM  

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