Temp(l)o
Tenho medo do tempo, ele passa sem parar. Segurar areia na mão e apertar, é o tempo que passa. Mais um mês se passou, mais um ano vai chegando ao fim, e vou me distanciando do último momento em que estive com vc.
Não quero essa distância, nem essa sensação. O tempo pode passar, mas não me distanciar de vc.
Senti uma paz imensa esta madrugada. Colocamos uma cortina no meu quarto, outra coisa que nunca tive na vida. E também um semeador de vento na porta da casa e um símbolo do equilíbrio, ou do infinito, na porta de entrada. A cortina tem uma parte de renda branca e o tecido rosa, que irradia a cor pra todo o quarto. Esta noite não saí, mas dormi, acordei e vim produzir, a madrugada é inspiradora. Fui dormir às 6h, com a luz do dia surgindo e fazendo o rosa se intensificar. Ao deitar e me aconchegar com minha própria essência, ainda bem escuro, senti paz e agradeci a Deus por tudo que consegui fazer. "A paz invadiu o meu coração, de repente me encheu de paz..." Era um banho de cachoeira de onde não escorria água, mas paz, preenchendo todo e qualquer vazio que houvesse. E os momentos páram, não é que páram? O tempo parou nessa hora. Mas depois seguiu em frente.

3 Comments:
:o
. . .
Abri meu provedor e uma notícia me chamou a atenção: "Adriana Calcanhotto lança livro escrito durante surto psicótico."
Nossa!! E fui ler a reportagem, porque loucura me atrai. E, talvez porque o jornalista fosse amigo da cantora, talvez porque tenha sensibilidade, talvez porque apenas saiba das coisas, disse algo que, embora tenha especificado a livro e canção, eu estenderia à arte, em todas as suas formas: "... [tenta], portanto, fazer a mesma coisa: dar conta de uma sensação, de um estado de espírito, resolvê-lo, botar ordem no mundo e fazer a vida seguir adiante."
Isso é arte! Esqueçam o que a academia diz! ISSO é arte! Isso é o que a arte faz!
Um pouco anteriormente, na reportagem, Calcanhoto diz que "Escrever foi a única coisa que restou. Porque, quanto mais pensasse no futuro --quanto tempo vai ser, se vai passar [o surto]-- ..., a escrita era o que me mantinha no presente."
E é isso! Quando nos acomentem loucuras, insanidades, perdas, dores, surtos, a sensação de que 'nunca vai passar', é a escrita que muita vez, nos salva, porque ela dá conta! Ela dá conta de nos manter no presente, ela dá conta de nos transportar para lugares (em nós!) que PRECISAM ser explorados, que PEDEM para vir à tona! Por mais que a escrita manifeste --ou com ela manipulemos-- dados do futuro ou do passado, é no presente que a escrita nos mantém. É no presente que ela tem sentido, e que todas as ambições de glórias futuras, nome nos portais da imortalidade de academias e palcos, se desfazem, perdem sentido, viram pó. Como nós viraremos um dia!
Êeeee! Qta paz! Q feliz! Vou até dormir melhor agora, com ctza =]
Bjoca, bonitona
Mta paz e fica com Deus
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