Dos amigos, colegas e parentes.
Tenho uma grande amiga que anda me dizendo umas verdades sobre mim. Ela me faz eu me enxergar, mas ela sabe fazer isso. E mesmo se não soubesse, ela é Amiga, com A maiúsculo, poderia falar como eu falo, sem rodeios, direto ao ponto, sem anestesia. Mas não, ela fala de um jeito doce. Ela, que eu dizia que era tão gelada quanto um iceberg, quando eu tentava ser desse meu jeito gato e abraçar. Desisti. Mas como ela me disse hj, ela não desiste de mim.
Tenho uma colega que andou tentando me dizer como se reza missa. Ouvi, ouvia cada palavra, cada negativa, pq só havia o que não podia ser feito e não, isso não ajudou. Atrapalhou e foi muito, e tenho pra mim que se vc não puder - ou não souber - ajudar, não atrapalhar já é de grande ajuda. No entanto, não imaginava que era por aí. Até cair a ficha, ao ver outra colega com a cara que devo ter ficado diante da lista-de-regras-e-normas-a-serem-seguidas-se-vc-não-quiser-perder-seu-emprego. Me vi. Do alto de sua vasta experiência, ela, querendo ou não, conscientemente ou não, só me fez eu me sentir muuuito mal, mal pelo qual ela mesma não queria que eu passasse. E eu demorei a ver. Demorei quase o suficiente para me dar mal. Mas graças a Deus deu tempo de ver que podia ser diferente, que sim, posso e devo ser eu mesma o máximo possível e todo aquele blablabla.
Tenho uma outra amiga que simplesmente pagou meu aluguel e me disse que quando eu puder eu pago a ela. E ela sabe, tanto quanto eu, que eu não sei quando vou poder. Foi uma surpresa muito boa, sei que tenho esses anjos no meu caminho. Sei que ela faria muito mais por mim e por muita gente, mas a situação financeira de todo mundo anda complicada. Sei que ela abriu mão de coisas por isso. E isso é impagável.
Conheci outros colegas. Outros modos de enxergar como se reza a missa. Ouvi, eu que gosto tanto de falar. Colegas que não vieram ditar regras. Colegas aos quais eu pedia algum conselho sobre como agir e obtinha pronta ajuda. Gente experiente de verdade, que me dá uma atenção inacreditável.
Tenho uma parente, dessas que não é parente, dessas que a gente nem sabe classificar o que é, apenas sabe que é importante demais, apesar de falar verdades na cara, muitas vezes de forma dura, que foi como a vida lhe ensinou. Sei que se pudesse ter outra parente, ela preferiria. Mas sei também de coisas que ela faz por mim, essa pessoa tão nada a ver pra ela, como sair de casa de madrugada pra me acolher ou ir me buscar no trabalho e me levar pra comer pq não tinha grana nem pra voltar pra casa. Ela cuidou da parte burocrática da partida da minha mãe. Eu que odeio essa parte e não teria a menor condição de fazer isso. Meu agradecimento sincero.
No meu aniversário, ela foi a única pessoa que me viu chorar. Não pude conter. Tentei fortemente. Mas era aniversário + tpm + eu achar esse tipo de atitude in-crí-vel. E chorei o resto da madrugada, desabafando, organizando as ideias, tentando entender a mim mesma, tentando pensar em como não incomodar mais ninguém com essa questão financeira, em como não ser fardo. E pude ter um aniversário tranquilo, tranquilo até demais.
"Vivendo e aprendendo a jogar. Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar."

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