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Tuesday, September 25, 2007

Sons

Ontem tentava escrever sobre um sábado ouvindo música em 2 shows maravilhosos e transformadores. Mas não queria me ater aos adjetivos comuns que vamos usando. Queria ir além, quero sempre, sempre mais. Talvez falar de como é apenas ouvir sons que vêm de um violino, de um piano, de um violão, de uma sanfona, de uma bateria. A princípio sem nenhum significado por não haver palavras. No entanto, não é necessário haver palavras para que haja significado e para que se faça sentir. O que faz com que esses sons toquem profundamente uma alma, comuniquem tanta coisa, perturbem, incomodem, emocionem, mexam, transformem, é uma dessas perguntas para a qual não há exatamente uma resposta, mas sobre a qual pode-se pensar bastante, e nisso eu prefiro a segunda opção a respostas definitivas e imutáveis.

Já cheguei predisposta à felicidade de sentir a poesia da música feita apenas de sons. Estava com pessoas muito queridas e querendo estar feliz, pq a vida me mostrou que talvez coisas impensáveis pra mim sejam possíveis. Com isso, abre-se o canal que leva esses sons confeccionados com sentimento, a passarem diretamente do órgão físico que nos dá a capacidade abençoada de poder ouvir, a algum lugar aqui dentro, tão dentro como se fosse um infinito dentro de nós mesmos. Chamam esse lugar de coração, alma, mente, espírito. Vejo como tudo isso mas ainda é como se a arte, em suas diversas formas, chegasse ainda mais longe, em algum lugar que não conseguimos definir. Taí, infinito. Infinito particular, sábia Marisa! Aqui dentro é tão imenso, tão grande, há tanta coisa... Não sabemos, vamos sabendo ao longo da vida e de suas artimanhas, de seus caprichos, e vamos nos posicionando e nos revelando, pra nós mesmos, diante de cada nova e inusitada situação. E qdo se pensa que tudo já foi sentido e experimentado, descobrem-se infinitas novas possibilidades.

É isso que eu tenho sentido ao ouvir essa música que se faz apenas com sons. Onde está o momento que transforma sua maneira de ver a vida e o mundo qdo se está ali ouvindo? Onde fica esse espaço, como se faz essa tranformação e a vida passa a ser algo bom novamente, algo feliz que se tem vontade de continuar? E depois, depois eu sempre penso que se não estivesse aqui não teria vivido esse grande momento, e que quero estar aqui sempre para poder ter esses momentos novamente.

Acontece que palavras tb são, primariamente, sons. Sons que vão ganhando sentidos nas línguas às quais pertencem, mas que são meramente sons, e é bom ouvir estas palavras assim, como um som que se produz com um instrumento musical. Como uma consoante forte e curta como a batida de um surdo, como uma vogal aberta e longa como um som que faz a introdução de uma música em um violino. Conheça-se ou não a língua, podemos nos concentrar nisso: nas rimas, aliterações, na melodia e harmonia das palavras faladas de modo que tb toquem o infinito dos seres, sem que isso ocorra por conta de seus significados. Talvez por isso seja tão bom cantar e ouvir cantar. Pq cada voz é um diferente instrumento musical, mais macio, mais doce, mais forte, mais doloroso, mais alegre, mais triste, e tudo isso nós sentimos através dos sons das palavras e em como elas são ditas.

E vou aqui tentando escrever sobre esses sentimentos que surgem quando ouço música, pq sinto essa necessidade de falar sobre isso, uma angústia de querer compartilhar e expressar o que se passa no meu infinito. Pq qdo ouço essa música de que falo, esses sons, esse infinito parece transbordar e então eu viro do avesso, que na verdade é o meu verdadeiro ser.

1 Comments:

Blogger Sara Veiga said...

"uma angústia de querer compartilhar e expressar o que se passa no meu infinito"

eu consigo perceber o que se passa no teu infinito.
eu consigo ver que és uma pessoa rica, cheia de sentidos, sentimentos, ideias.

gosto muito de ti.
e gosto muito de te ler.

nunca tinha parado para reflectir sobre esse poder da música, pelo menos de uma maneira tão intensa como o fizeste.

beijo musical, amiga.

Sara

26/9/07 9:51 AM  

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