Thoughts and feelings.
Tenho escrito bem menos do que gostaria. Tb tenho tido um retorno pequeno, principalmente sabendo que muita gente lê esse blog quietinha...
Mas como escrever, como colocar palavras onde só cabem sentimentos, intensidades, imensidões? Não é fácil, e sinceramente, será que tenho que transformar tudo o que sinto em palavras? Tenho transformado muito mais em movimentos. Se eu começo a me mexer ao ouvir um som e ao escutar palavras que tocam no cerne da nossa dor humana, isso é suficiente pra que eu mesma entenda e meio que exorcize essa confusão que percorre minhas artérias, que acelera meu coração, que me deixa cansada, tensa...
Como definir o que se sente? É interessante fazer isso e até bom, mas sempre necessário e mais, possível? Como falar sobre o que sinto agora, sobre essa mistura que fica andando aqui dentro do meu peito, que perturba, que faz tremer, dá dor de cabeça, medo, muito medo, ansiedade, desassossego, desespero, mas não é nada disso sozinho?
As experiências têm sido muitas, ininterruptas, intensas, indescritíveis, quase incontáveis. Às vezes só quero um pouco de sossego, de paz, de poder dormir sem, ao acordar, me dar conta de que tudo mudou mesmo, e sentir medo e solidão por isso e querer dormir de novo e acordar só qdo tudo estivesse bem... Quero poder ficar no quintal olhando minha galinha ciscar e meus gatos me procurarem e se deitarem perto de mim. Quero sentir o sol junto com eles e ouvir o silêncio que se faz neste novo lugar e na minha própria vida. Quero alguém pra dividir essa vida, a casa, o trabalho, a despesa, pra poder dizer aquelas besteiras que a gente sempre fala qdo tem essa pessoa debaixo do mesmo teto, qdo mora com a família, sabendo que ali está a maior profundidade da vida, pois é onde se conhece mais alguém. Não por palavras, mas pelo olhar, pela expressão do rosto, pelo jeito de andar, pela hora de acordar, pelo jeito que a porta se bate, pelo jeito que se olha pro céu, pelo sono que chega cedo, por ligar a tv e não ouvir um cd, por ver o prato do almoço inteiro em cima da pia, pela roupa que se veste, por tanta coisa que nunca é dita, mas é entendida tão bem! E qdo dita, nunca é o que se diz...
Acho q tenho sentido falta disso e entendido pq com o tempo a saudade não passa, e ninguém substitui outra pessoa. A saudade não passa mas tudo muda de lugar e o tempo, esse passa, e tudo muda, e eu só queria que tudo ficasse do jeito que está. Na verdade do jeito que era, qdo eu tinha uma sensação boa de segurança pq tinha uma certeza cega de que aquilo tudo não iria acabar.
Eu sempre fiquei impressionada com as pessoas que perdiam seus afetos mais próximos e depois de um tempo era como se aquela pessoa tivesse sido apagada do mundo, como se nunca o tivesse habitado, existido, como se aquilo não doesse. Ficava imaginando, achava que as pessoas eram frias... Agora sei exatamente o que elas sentem. Imagino que algumas pessoas agora pensem de mim o mesmo que eu pensava. Mas a vida segue, a dor dói menos, a correria não te deixa pensar. Só não se iluda, aquela pessoa nunca sumirá da sua vida; ela estará dentro de vc, e muitas e muitas vezes só vc saberá, por mais que fale. Só vc saberá a dor que é não tê-la perto, deitar, dormir e acordar sem poder ver, falar... Sem poder pedir uma opinião, perguntar "e agora, o que faço?", sem poder se sentir um pouco mais tranquila por sabê-la ali, por não poder correr pra ela e dizer "me ajuda", por não precisar nem dizer nada, apenas olhá-la e segurar na sua mão. Ô remédio pra qq dor, pra qq coração acelerado, qq medo.... O único que me curaria e o único que não terei.
Se vira Patrícia, acabou o conto de fadas.

3 Comments:
Você tem umas sacações muito boas nos seus questionamentos. Gostei particularmente de "E qdo dita, nunca é o que se diz... " Bonito mesmo!
"será que tenho que transformar tudo o que sinto em palavras?"
eu penso que não, penso que é muito mais proveitoso transformar em movimento, em acção, como disseste. Acho até que por vezes é contra-producente tentar verbalizar sentimentos, tentar traduzi-los para palavras.
"por tanta coisa que nunca é dita, mas é entendida tão bem! E qdo dita, nunca é o que se diz..."
Entendo-te bem, amiga. :)
"Sem poder pedir uma opinião, perguntar "e agora, o que faço?""
Acredita, se pudesses perguntar e te pudessem responder, a resposta nunca seria bem o que queria dizer, nunca seria bem o que te traria sossego... Não é igual para todas as pessoas. Somos todos diferentes, apesar de iguais em tanta coisa.
"O único que me curaria e o único que não terei."
Não creio nessa frase. Penso que há remédios diferentes para sintomas diferentes. Tenho a certeza de que surgirão remédios que te "curarão". Até porque a investigação científica é galopante, todos os dias há novidades ;)
Beijo enorme, amiga.
Desculpa a ausência deste teu cantinho, prometo visitar-te mais assiduamente.
Sara
Meu anjo, o papo é sério:
Essa dor imensa que andas carregando... não me leva a mal (eu tinha vontade de avançar quando me diziam isso, anos atrás), mas não podes fazer terapia, pra resolver isso na tua ALMA? Não estou menosprezando nenhuma dor -- ao contrário, o processo por que passas é normalíssimo, mas dói muito. Já estás escrevendo, o que é PODEROSO como cura, e outra cura é o passar do tempo, mas um psicólogo é capaz de nos ajudar a trabalhar emoções e sentimentos, e torná-los mais produtivos e mais leves.
Desculpa, só tô tentando ajudar. Como uma amiga "mais velha" que tu tens (e sabes que não consigo explicar, mas me identifico com teu espírito), estou aqui tentando maneiras de te ajudar e te fazer sorrir mais.
UM BEIJO ENORME, tu me emocionas.
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