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Saturday, August 13, 2005

Sou, logo sinto.

E se você pensa que tudo o que há
É o que se vê
Como se engana, criança...
Pois tudo que não se enxerga com os simples olhos
É o que realmente sou,
O que realmente me importa.
O que me assusta,
O que me exalta
O que me acalma
O que me faz tremer.
Isto está aqui,
Aqui dentro
E somente aqui.
E eu não saio por aí espalhando
Sobre meus amores
Sobre meus temores
Sobre minhas dores
Sobre minhas ilusões.
Sei o que não querem me dizer.
A quem me tenha medo,
A quem me queira bem,
Sou sincera, apenas isso,
Tenho defeitos, eu os conheço.
Tenho qualidades, mas me apontem.
E não sou ninguém sem meus livros.
Um dia acordo desperta,
No outro, sequer me levanto.
Às vezes me sinto velha.
E quero casar,
E quero um filho,
E responsabilidades,
E algo para chamar de meu.
E mais tarde
Volto às farras,
E não preciso de rédeas,
E nada de crianças,
E que as responsabilidades sejam dos outros,
E que os terceiros fiquem onde estão.
Às vezes sou paz,
Sou porto seguro,
Sei onde estou,
E sei o que quero.
Depois, me descubro insana,
Perdida.
E não sou segura,
E nada me segura,
E de tudo duvido.
E grito porque não me acho.
E tem vezes que a vida é um pesadelo
Porque tudo vai de mal a pior.
E nada parece ter destino certo.
Pois, então, compro um sapato.
E o mundo volta à sua perfeição.

adaptado de textos de Danielli Jesus

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Esse texto é a sua cara!!!

Beijos no coração,
Márcia Regina

14/8/05 8:43 PM  

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