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Friday, July 01, 2005

Se me chamar de agressiva de novo vai levar uma cabeçada!!!

Às vezes fico pensando pq me rotulam de agressiva.

Pq não assertiva, objetiva, clara, direta. Pq não? Qdo estou discutindo, argumentando, pensando, dialogando, colocando, de fato, meu pensamento e minhas opiniões; meus sentimentos e meu ser-no-mundo, sou taxada, radicalmente.

Mas é incrível como poucos olham para o próprio rabo (tô sendo agressiva? teria então que usar um eufemismo? qual o problema?). Não, não sou agressiva. Precisei de anos de análise e de quase bater na minha psicóloga (hauhuahuahuahua!!!) pra entender isso pra mim mesma. Pensei, pensei, principalmente toda vez em que me tascavam o rótulo no meio da testa. Isso sim é agressivo, essa maneira radical de julgar as pessoas e ponto. Vc é isso e sempre será. É, não está. Meu jeito direto é transparente, sincero. Fico feliz pq hj em dia não ouço só que sou agressiva. Mas tb que sou sincera. E isso pra mim é muito importante. Uma carapuça que serve, direitinho. Uma ex-aluna minha uma vez me escreveu dizendo que uma das minhas qualidades é ser sincera e que um dos meus defeitos é ser sincera, também.

Isso explica muito dessa agressividade que me colocam nas mãos.

E penso em tudo que passa dentro de mim, em tanto sentimento e vontade de melhorar esse mundo perdido, e na dor que sinto qdo vejo algum irmão meu sofrer. E choro. Sou amor, tenho muito amor aqui dentro. Estou encontrando a quem devo dá-lo, e nunca vendê-lo. Descubro porquê estou por aqui. Não, querido leitor (seja quem for), não sou agressiva. Mas vc já viu um gato assustado num meio fio qq, carros passando, ele sozinho, sem comida e sem água, sem outro gato ou com algum, porém desconhecido... A re-ação é o ataque, o grito. E esse é o mundo em que vivemos, o so-called mundo selvagem, assim como o sistema que o rege.

Qdo passo nas ruas e vejo alguém, algum ser humano em estado indigno de viver, meus olhos enchem de lágrimas, e sinto uma dor enorme no meu peito. Isso é amor, por mais que doa.

Dia desses vi um menino, um desses que está passando da fase de pivete assaltante de cordões e relógios para assaltante de coisas maiores, sentado na Saens Pena, numa noite de muito frio, com um lençol que cobria suas pernas. Eu o conheço. Olhei pra ele e ele me deu tchau. Eu respondi com o mesmo aceno. Fiquei surpresa em vê-lo ali. Na mesma hora lembrei que a mãe dele faleceu há pouco tempo. Quem me contou isso foi minha mãe, que o viu chorar, no dia do enterro. Ainda bem que eu não vi, ia doer muito.

Com todo esse amor dentro de mim, como posso ser agressiva?

Talvez qdo o que recebo não seja amor.

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