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Monday, December 19, 2016

Turbilhão

Por onde começar... Sempre assim quando quero escrever, mas especialmente esse ano creio que todos estejamos compartilhando deste sentimento. Principalmente agora nessa reta final. Muita informação, muita, muuuuuuuuuuuuita. Milhares de fatos interligados, e a gente tentando entender tudo isso. Respira. Acalma o coração. Acalma a mente. Esvazia. Observa as lagartas. Contempla as plantas, a arruda, a pimenteira, o manjericão, a goiabeira. Medita. Acalma o coração. Aquieta a mente. Necessidade de escrever isso, pois a escrita tem esse poder de eternizar, de tornar mais importante. 

Que ano! Todos podem dizer. Mas penso no meu ano, especificamente. Que ano! A menos de uma semana do Natal, sinto-me à flor da pele com a vibração da energia do amor mais próxima de nós. Os olhos marejam. Aquieta. Respira. Namastê. Terceiro olho. 

Que dia, esse que se encerra. Que semana, que mês, que trimestre, que semestre. Sim, semestre. Pensar que tivemos Olimpíadas nesse semestre! Que depuseram a presidenta! Que fui parar onde teria ido há 5 anos, quando passei no concurso do município. Que mundo, como gira! Inspira, observa a respiração. Silencia dentro. Fora há silêncio. 

Há um ano estava empurrando a vida com a barriga. Sabia, mas que fazer? Apesar de falando beeeeeeeeeeemmmm menos, fui saída da escola onde fiquei mais tempo - 3 anos. Como ouvi, expressões faciais e gestos falam o suficiente. Houve mudança de direção (com duplo sentido). Enfim. Apesar de tudo e do desânimo instalado, apesar de nunca ter entrado na minha sala, há quem sinta-se capaz de julgar seu trabalho. Minar a força do outro para aumentar a sua é típico dessa hierarquia vertical, fadada ao desaparecimento. 

Escola nova, velhos problemas. Piores em certos lugares que em outros. Desanimei de vez, perdi o gosto pela vida, deprimi. 4 meses de licença. Assustador, porém tão imprescindível! Não havia outro caminho, hoje vejo. Não diante da minha falta de ação, já meio parte desse cansaço construído, diria, durante o ano de 2015, que aguentei mas foi muito duro. A dureza das pessoas me deu uma rasteira feia. É feio ver a educação travestida de autoridade, a autoridade de autoritarismo, o diálogo de "eu falo, vc escuta (e obedece)". Nunca foi meu forte. Ponto fraco. A aparente beleza e bom funcionamento serem só fariseicas. Como quase tudo nesse mundo de aparência. Mundo fariseu. 

Olimpíadas. Paraolimpíadas. Que período maravilhoso pro nosso Brasil, pro nosso Rio! Que levantada na nossa bola, na nossa auto-estima. Que medo de fazer e vrá, fez-se, e tão bem feito. Lindo, inesquecível, queríamos mais. No entanto, voltamos ao prosaico dia a dia carioca e ao seu relato de violência, segregação, partilha, ignorância. Difícil. Política, tudo política. Não a partidária, mas o conceito em si, tudo sendo tão discutido. Creio que precisa-se ver que isso é bom apesar de como está acontecendo. Ainda somos assim agressivos, mal educados em nossa sensibilidade, e nem dá pra dizer animais pq esses vendo dando aulas e mais aulas e mais aulas. Respira fundo e solta forte. Dizem que baixa a adrenalina. 

No meio do conhecido caos no qual vivemos de formas absurdas, outra escola nova. Mesmo que onde esteja seja horrível, mais o é ser retornado. Ainda que depois tudo faça tanto sentido. 

Formiga. Bichinho que já observei, não tanto como às lagartas, mas sim pensei e pensamos nesse serzinho, usamos como exemplo, como metáfora da nossa própria existência, do nosso trabalho, a despeito de nossos egos. Novo caminho, mudança, retorno aonde iria há 5 anos. Não tinha q ter ido não. Precisava dar essa volta pra aprender como tudo isso funciona, pra então parar lá e sentir-se abençoada. 

Mas agora, acho que o mundo precisa parar e pensar e olhar e cobrar por Aleppo, pela Syria. A despeito de quaisquer outras coisas, sem argumentos. Bora pressionar. Tem funcionado em várias frentes.

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