Foi.
Não consegui dormir direito. Suava. Não sei pq, qdo pensava que era só uma aula. Era só uma aula, como tantas que já dei, ainda que poucas de português. Tinha medo de não conseguir fazer, só isso. Dia 10, fim de uma manhã chuvosa. Fui lá e fiz. E fiz bem, dentro do possível, e isso me deu um alívio enorme, além dessa boa sensação de satisfação após horas de trabalho que resultam num bom planejamento, bom material, bom domínio do conteúdo, coisas indispensáveis a uma boa aula.
Quando tava chegando a hora eu tava uma pilha... Dps que começou, fluiu. Eu gostei de ver os alunos participando, trocando cmg, construindo. Isso me estimula. Acho que em alguns momentos não articulei bem meus pensamentos, mas talvez seja pela tensão de estar sendo avaliada. E tb pela falta de experiência com aquele conteúdo, com a adequação dele aos alunos. No entanto, fui cobrada por coisas que estão além de mim, além de uma licencianda que está apenas começando a construir sua experiência pedagógica. A nota mais baixa que tive foi justamente na parte de participação e envolvimento da turma, logo no que achei uma das melhores coisas! Logo no que mais insisto, no que mais acho fundamental pra uma aula proveitosa. Ainda que não tivesse sido, não dependeria somente de mim. Estamos lidando com *pessoas*, e não com robôs ou coisas que podem ser moldados ao nosso bel prazer. O mais irônico é que nem quem já tem anos de experiência consegue fazer o que foi cobrado de mim. Até pq há muita discussão nesse aspecto, assim como na questão da disciplina - na qual tb fui descontada. Me senti exigida além do que deveria e injustiçada mesmo. Não concordei em NADA com a nota que recebi. A argumentação do meu professor foi excelente. Ele falou do estágio como um todo e de uma forma que creio só me ajudou e ajudará. Fez uma crítica construtiva, levantou os aspectos positivos e até os negativos de forma a apontar o que posso melhorar. Já ouvi falar da "exigência" da professora de prática. Tenho absoluta certeza de que se fosse a minha professora mesmo, com quem cursei os 2 períodos de prática ano passado, que me conhece bem, sabe de minhas crenças pedagógicas e onde elas então fundamentadas, minha nota seria outra. Eu poderia ter feito como muitos colegas, que tiveram suas horas assinadas sem precisar assistir e nem dar essa aula, e tiraram qto? 10. É assim que aprendemos o valor da honestidade no Brasil? Isso é desanimador demais, é deprimente, me faz pensar se realmente devo fazer isso, se este é realmente o meu caminho. Se não tenho, numa prova de fim de estágio, minhas crenças que foram construídas ao longo do estudo na Faculdade de Educação respeitadas, será que vale a pena? Eu quis fazer tudo direitinho. Quase não consigo, mas posso bater no peito com orgulho e dizer que consegui. E não fiz de qualquer jeito, fiz o melhor que pude e sei que não foi ruim.
Meu estágio e a aula pareceram ter sido reconhecidos como um bom trabalho pelos 2 professores. Mas aí veio a nota, e ao meu ver a nota contradizia o que eles haviam acabado de me dizer. Fiquei remoendo isso a sexta-feira toda, o sábado... Não pude nem ter a sensação de alívio e de "acabou" em paz, não consegui sentir isso diante dessa enorme sensação de fracasso. Fracasso diante do sistema, da vida, do julgamento arbitrário de tanta gente que não sabe o que passa dentro de vc, nem o que se passa fora de vc, ao seu redor, que não sabe o quanto Educação é algo em que vc acredita, e que vc tá ali fazendo o melhor que pode, e que tudo isso vale mais que o número que me foi atribuído. Sei que não dei uma aula perfeita, mas nem era pra ser mesmo, afinal eu sou apenas uma licencianda, ainda. Ainda assim, acredito sem modéstia dar aulas muito melhores do que muita gente que se intitula professor por aí. Eu recebi uma nota que só quem dá aulas horríveis recebe, pelo que ouço falar. Sabe, aquela pessoa que chora, que fica tão nervosa que dá um branco e se perde toda, essas coisas. Não foi o que aconteceu cmg. Ao final da aula, eu senti alívio não por ter terminado, mas pela sensação de que tinha sido bom. Tinha sido válido de alguma forma para os alunos, pq tinha construído, relembrado conhecimento, instaurado reflexão ou problematização, no mínimo. Dessa forma, meus objetivos haviam sido atingidos - apresentar conceitos e melhorar a capacidade expressiva escrita. Mas os avaliadores, mais uma vez, discordaram. Não viram da forma que vejo e explicito aqui agora - na hora eu não explicitei nada, tava tonta, cansada, apenas falei da dificuldade que é ter a atenção de uma turma para si e de que disciplina é questionável, pelos menos os parâmetros do que se entende por disciplina nas salas de aula tradicionais: gritos, colocar pra fora de sala, mandar pra direção, ficar pedindo silêncio... Eu não fiz isso na minha aula, não acredito nisso e não agiria assim de jeito nenhum. Mas fui descontada por algo em que a discussão acadêmica é tão grande... Provavelmente vou tentar reverter essa situação. Se eu não fizer nada, não serei eu: aquela criança que sempre foi questionadora, que sempre teve esse seu comportamento castrado, que se descobriu podendo ser essa sua essência dentro do espaço acadêmico, e que dentro dele mesmo, já misturado à prática e à vida real, volta a ser tolhida. Só que pra mim, teoria e prática andam juntas, e não em direções opostas. Desabafo.

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