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Monday, January 02, 2006

Balanço de 2005

Não é empresa mas é sempre bom... rs
2005 foi incrível. Qdo pensei nisso pela 1ª vez, agora no final de dezembro, tive vontade de chorar. Acho até que chorei. Passou tudo pela cabeça em um segundo. É, a relatividade do tempo.
No fim de 2004 chorei mais, pois foi um ano no qual fui eu, seguindo o que acredito e sendo o que falo, tentando diminuir essa distância enorme entre o que falamos e o que fazemos. Como vi que dava pra ser assim, pra furar esse bloqueio social e culturalmente imposto, ainda que com todos os contratempos, resolvi então seguir neste caminho. Sempre tive uma grande tristeza no meu peito por nunca ter me encaixado bem em tudo o que o mundo nos exige... Na verdade hj vejo o qto as pessoas são infelizes por isso. E poucos conseguem enxergar a tempo e viver de verdade, na diversidade, na diferença e na sua essência, se libertando dos padrões que vêm de fora e que têm que caber como uma roupa pret-a-porter.
Pois é, acho q tô enxergando. Se em 2004 descobri isso, em 2005 eu vivi isso. E viver é algo que transcende qualquer definição em palavras. Pq as sensações são muitas e indefiníveis. Por conta de bater o pé e ser-eu-no-mundo, tive boas afirmações disso mas tb bastante decepção. Só que o saldo é dos bons, dos melhores.
Qdo penso no ano que passou, penso em 2 fases muito distintas e isso é o que mais me emocionou. Tive uma fase ruim nas 2 coisas que movem minha vida para a frente: as letras e a dança. Engraçado é perceber, agora que a tempestade passou, que foi a mesma fase temporal.
Trabalhei num curso que me fez pensar se eu sabia inglês o suficiente para dar aula, mas que tb me fez pensar se era só preciso saber inglês para dar aula. E foi um tempo de agonia total, de pressão e de teste. Tá lá no meu currículo. Foram uns 3 meses. Vc pode pensar: mas se foi ruim e tão pouco tempo, pq colocar no currículo? Pq foi uma PUTA experiência e pq aprendi muito, mas muito mesmo, sobre a língua e sobre as pessoas. Dps de lá, consegui me firmar mais e virei uma professora melhor. Comecei a dar aula no estágio em uma escola pública e descobri que é isso que vim fazer aqui. Ali é o meu lugar. Descobrir isso não é incrível? Dps ainda me apaixonei mais pela nossa língua e pela nossa gente avaliando redações de todo o Brasil. Me sinto, no mínimo, privilegiada.
Na mesma época, deixei de ser a dançarina que todos queriam dançar e que dançava muito bem. Fui a 2 bailes nos quais fiquei parada o tempo todo. Fui ficando pequenininha e minha vontade era sumir. Não entendia pq eu tava ali parada e tive vontade de nunca mais ir a um baile. Questionei minha dança e minha habilidade tb. E fiquei triste, pois amo d+ dançar. Mas dps isso passou meio que de forma mágica e dancei muito, frequentei alguns bailes até que voltei a ir pro forró, e me encontrei mais uma vez. E a dança de salão ficou de lado, pelo ambiente competitivo e vaidoso, com o qual não tenho a menor afinidade e que estava me deixando quase deprimida. E como dancei, e como fui feliz nos forrós! E do forró parti no caminho de volta para a dança e acabo o ano vencedora e certa da minha outra vocação.
Acabo o ano podendo dizer que sou feliz, e isso é algo que não imaginei acontecer tão cedo. E nem sozinha tb. Aprendi uma grande lição esse ano: podemos sim ser felizes sozinhos. Não é demagogia ou nada do tipo, mas o que sinto agora.

6 Comments:

Anonymous Anonymous said...

q inspiradonaaa..
senti tonzinhos de esperança e disposição nesse discursão aí.. tomara mt q eu esteja certa ;^)
.bjoca e ainda mais felicidades, figurinha.

3/1/06 11:22 AM  
Anonymous Anonymous said...

Bom, Paty!!
Sou suspeita para comentar o que vc diz, ou melhor, o que vc diz na forma que diz, pois vc escreve muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito bem. O texto está lindo.
Quando comecei a ler, pensei:"Não vou comentar nada, pois ela está fazendo um balanço de 2005, da vida dela." Não queria interferir nas suas conclusões, mas o final do seu texto tem tudo a ver com a minha vida tb.
Realmente, podemos ser felizes sozinhas sim. Sabe quando vc disse que é muito difícil viver dentro do que o mundo exige de nós? Concordo plenamente. É terrivelmente sofredor. E o pior é que as pessoas a nossa volta se encomodam por não seguirmos o "padrão".
Vivo sozinha, mas com muito mais companhias agradáveis que muita gente. Vivo sozinha, mas não sou solitária. E sou feliz hoje no estilo de vida que tenho, com as pessoas que realmente gosto ao meu lado.
Bom, todo tipo de interpretação é extremamente subjetivo, mas acho que entendi direitinho o que vc disse.
E viva a vida!!!
Beijos no coração,
Márcia Regina.

3/1/06 7:31 PM  
Anonymous Anonymous said...

Puxa Paty... adorei suas palavras, dá gosto de ler... Assim que tiver um tempinho vou dar uma lida em todos os outros textos. Fica com Deus linda! Beijocas!

4/1/06 1:23 AM  
Anonymous Anonymous said...

Simplesmente inspiradorrrrrrrrrrr!!!
My

4/1/06 5:51 PM  
Anonymous Anonymous said...

Você construiu um texto de uma fluência e de uma sensiblidade tão tocantes que quando acabei de ler queria que tivesse mais... Me identifiquei com muitas coisas que vc escreveu. Tem certos sentimentos e sensações que são universais porém poucos privilegiados podem experimentar tais emoções e apoveitá-las ao extremo.

9/1/06 8:42 AM  
Anonymous Anonymous said...

Fico muito feliz por esse seu balanço ser tão positivo.
Tudo que você escreveu foi maravilhoso, foi tão intenso que a energia saltava das palavras.

Que 2006 seja tão bom quanto 2005...

Seja muito feliz!

Beijos

10/1/06 11:07 AM  

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